O quintal sempre foi mais do que um espaço ao redor da casa. Para a criança, ele é mundo. É onde o corpo encontra a terra, onde o tempo se alonga e onde folhas, frutas e pequenos objetos se transformam em brincadeira e descoberta.
Ali, a natureza não é conceito, mas presença cotidiana. Convive-se com ela, observa-se, cria-se com ela. Nesse espaço simples e vivo, a criança começa a aprender — sem perceber — que faz parte do mundo natural.
Antes das palavras, o corpo entende. Toca a terra, sente o
vento, experimenta a chuva que vira barro. Das mãos nascem marcas, desenhos,
panelinhas improvisadas. Aprende-se uma linguagem feita de experiência, afeto e
presença.
Crescer em contato com ar, água, terra e verde é habitar um aprendizado vivo. Observando o crescimento de uma planta ou o amadurecimento de um fruto, a criança aprende sobre o tempo, os ciclos, a espera e o cuidado.
No quintal, pequenos gestos constroem memória: o cheiro de ervas no ar, a fruta colhida do pé, a chuva vista da janela e depois sentida na grama renovada. Aprende-se também que os pequenos animais participam da continuidade da vida e que compartilhar o que se cultiva faz parte do convívio.
Essas experiências permanecem. O adulto carrega, muitas
vezes sem perceber, a memória sensível da terra molhada, do vento nas árvores,
do tempo vivido com o corpo. A natureza experimentada na infância segue
existindo como pertencimento.
Talvez seja por isso que, na vida adulta, o desejo de
caminhar entre árvores, sentir o vento ou observar o céu surja como uma
necessidade silenciosa.
Reconectar-se com a natureza é, também, reconectar-se
consigo.
Quem cresce em contato com a natureza carrega essa presença por toda a vida.
Este ensaio é um convite a refletir sobre a natureza na
infância e sua presença possível no espaço familiar.
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