O quintal sempre foi mais do que um espaço ao redor da casa. Para a criança, ele é mundo. É onde o corpo encontra a terra, onde o tempo se alonga e onde folhas, frutas e pequenos objetos se transformam em brincadeira e descoberta. Ali, a natureza não é conceito, mas presença cotidiana. Convive-se com ela, observa-se, cria-se com ela. Nesse espaço simples e vivo, a criança começa a aprender — sem perceber — que faz parte do mundo natural. Antes das palavras, o corpo entende. Toca a terra, sente o vento, experimenta a chuva que vira barro. Das mãos nascem marcas, desenhos, panelinhas improvisadas. Aprende-se uma linguagem feita de experiência, afeto e presença. Crescer em contato com ar, água, terra e verde é habitar um aprendizado vivo. Observando o crescimento de uma planta ou o amadurecimento de um fruto, a criança aprende sobre o tempo, os ciclos, a espera e o cuidado. No quintal, pequenos gestos constroem memória: o cheiro de ervas no ar, a fruta colhida do pé, a ...
Ensaios e anotações sobre arte, cotidiano e o tempo das coisas.